Gravei o vídeo acima depois de ler a notícia da falência da Oi. Dez anos. Duas recuperações judiciais. Passivo de R$ 44 bilhões e patrimônio negativo de R$ 22 bilhões. E a pergunta que ninguém faz: quem eram os credores, e quantos receberam.
O que o tempo do processo faz com a dívida?
O ponto não é a Oi. É que o tempo do processo tem um efeito que ninguém coloca na planilha: ele transforma dívida em pó. Deságio, parcelamento longo, e o risco de falência no meio do caminho. Quem devia paga menos. Quem tinha a receber, muitas vezes, não recebe.
Eu vejo credor desistir. Não por desleixo. Por cansaço. Dez anos de assembleia, plano, aditivo e recurso vencem qualquer departamento financeiro.
Por que garantia não é desconfiança?
É por isso que eu insisto nisso com cliente: garantia não é desconfiança, é engenharia. Se o seu maior cliente pedir recuperação amanhã, o que muda para você é o que você escreveu no contrato antes. Crédito com garantia real tem tratamento diferente no processo. Crédito quirografário, que é o do fornecedor comum, entra na fila com deságio.
O que fazer se você vende a prazo?
Três coisas, nesta ordem. Saber quanto da sua carteira está concentrada em poucos clientes. Revisar quais contratos têm alguma garantia (aval, fiança, alienação fiduciária, reserva de domínio) e quais têm só a nota fiscal. E colocar cláusula de garantia nos novos contratos antes que o problema apareça.
Se você vende a prazo e nunca sentou para olhar as suas garantias, é a hora. Uma conversa de 30 minutos mostra onde está o risco.
Marden Gontijo França Filho
Advogado, OAB/GO nº 29.639
Gontijo Freitas Advogados Associados
Perguntas frequentes
Fornecedor recebe na recuperação judicial?
Depende do plano aprovado. Crédito sem garantia costuma receber com deságio e em prazo longo.
Qual garantia é mais forte?
Garantia real (alienação fiduciária, hipoteca) fica fora dos efeitos principais da recuperação. Aval e fiança permitem cobrar o garantidor.
Posso pedir garantia de cliente antigo?
Pode, na renovação ou no aumento de limite. É negociação comercial, não ofensa.


