Fundador morre em 2024. A herdeira assume. Três supostos meios-irmãos aparecem com instruções manuscritas do pai prometendo US$ 2,1 bilhões em trusts. Dois processos, dois países, e em novembro de 2025 a herdeira deixa o comando. A Wahaha fatura bilhões.
O que faltou?
Não foi dinheiro para estruturar a sucessão. Foi decisão. O fundador tinha recursos, advogados e tempo. O que não teve foi a conversa difícil em vida: quem fica com o quê, escrito de forma que não dependa de bilhete.
Por que isso importa para a empresa familiar em Goiânia
O tamanho muda, o roteiro não. Vejo o mesmo padrão em rede de lojas, clínica e transportadora: o fundador centraliza, promete verbalmente, e a família descobre no inventário que cada um entendeu uma coisa. Filho de outro relacionamento, sócio informal, imóvel no nome de quem não devia.
O que decide uma sucessão
Três documentos: contrato social com regra de morte de sócio, acordo de sócios ou de família com governança, e testamento ou holding para o que é patrimônio pessoal. Nenhum deles resolve sozinho. Juntos, tiram a briga do inventário e a colocam numa mesa com regra.
Se a sua empresa depende de uma pessoa e ninguém sabe o que acontece se ela faltar, uma conversa de 30 minutos é o começo da decisão.
Marden Gontijo França Filho
Advogado, OAB/GO nº 29.639
Gontijo Freitas Advogados Associados
Perguntas frequentes
Holding familiar substitui testamento?
Não substitui. Organiza a empresa e o patrimônio; o testamento cuida do que fica fora.
Instrução manuscrita vale como testamento?
No Brasil, só nas formas previstas em lei. Bilhete não é testamento.
Quando começar?
Enquanto o fundador está vivo e decidindo. Depois, quem decide é o juiz.


