O Brasil tem 9,2 milhões de empresas negativadas e R$ 238 bilhões em dívidas, segundo dado da Serasa de julho de 2026. É recorde. E o número que ninguém destaca é o mais importante para quem tem empresa: três em cada quatro dívidas em atraso não estão em banco. Estão com fornecedor e prestador de serviço.
Quem está devendo?
Quase tudo é micro e pequena empresa. Desses 9,2 milhões de CNPJs, 8,7 milhões são pequenos negócios. E quem eles devem não é o banco. É o fornecedor que vendeu a prazo confiando na relação.
Banco tem cadastro, score, garantia e departamento de cobrança. O fornecedor tem a nota fiscal e a confiança. E confiança não se executa.
Por que o problema está na empresa pequena?
Semana passada recebi uma cliente no escritório. Microempresa, vende produto barato para as classes C e D. O cliente dela parou de comprar. Não trocou de loja. Ele não tem mais o dinheiro.
O que eu venho ouvindo, caso atrás de caso, é o mesmo. O dinheiro que sobrava no fim do mês, que pagava um presente ou um mimo, hoje vai para aposta. Isso é a minha leitura de balcão, não estatística. Mas a cadeia é essa: consumidor endividado, empresa pequena que vende para ele, fornecedor que vendeu para a empresa pequena.
O que fazer se você vende a prazo?
Esse número não é notícia. É a sua carteira daqui a seis meses. Três coisas se fazem antes do problema: política de crédito (para quem vender a prazo e até quanto), garantia no contrato (aval, fiança, cláusula de reserva) e monitoramento da carteira (quem atrasou uma vez tende a atrasar de novo).
Quando o cliente pede recuperação judicial, o que muda para você é o que você escreveu no contrato antes. Se você vende a prazo e nunca sentou para olhar as suas garantias, é a hora.
Marden Gontijo França Filho
Advogado, OAB/GO nº 29.639
Gontijo Freitas Advogados Associados
Perguntas frequentes
Duplicata é garantia?
É título de crédito, facilita a cobrança, mas não garante pagamento se o devedor não tem patrimônio.
O que muda se o meu cliente entra em recuperação judicial?
Seu crédito entra no plano, com deságio e prazo longo. Crédito com garantia real tem tratamento diferente.
Vale cobrar judicialmente dívida pequena?
Depende do custo. Muitas vezes a negociação com garantia nova vale mais que o processo.
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