O Dia do Advogado marca a criação dos dois primeiros cursos jurídicos do Brasil, em 11 de agosto de 1827, em Olinda e em São Paulo. Cento e noventa e nove anos. Nesse tempo mudou quase tudo, menos o essencial: o que o cliente compra não é informação sobre a lei. É alguém que estuda o caso, forma opinião e assina embaixo.
O que mudou com a inteligência artificial?
Informação virou commodity. Qualquer pessoa consegue, em segundos, a explicação de uma lei, o resumo de uma decisão, a minuta de um contrato. Eu uso essas ferramentas todo dia no escritório, e elas encurtaram semanas de trabalho para horas.
O que não virou commodity foi o julgamento. Decidir qual caminho seguir quando os dois têm risco, dizer ao cliente que a ideia dele é ruim, assumir a responsabilidade pela recomendação. Isso continua sendo trabalho de gente, e é o que o honorário paga.
Como saber se o seu advogado entrega julgamento?
Um teste simples. Se você é empresário e o seu advogado nunca discordou de você em nada, vale prestar atenção nisso na próxima conversa. Advogado que só confirma o que o cliente já decidiu está entregando informação, e informação hoje é grátis.
O advogado que vale o preço é o que diz “não assina isso” antes de o problema aparecer. Ele erra também, mas erra depois de ter estudado e assumido posição.
O que isso muda para quem contrata?
Na hora de escolher advocacia para a empresa, pergunte menos sobre quantas leis o escritório conhece e mais sobre como ele decide. Peça um exemplo de recomendação contrária ao que o cliente queria. A resposta diz mais que qualquer currículo.
Se você quer uma opinião firme sobre um problema da sua empresa, uma conversa de 30 minutos é o teste.
Marden Gontijo França Filho
Advogado, OAB/GO nº 29.639
Gontijo Freitas Advogados Associados
Perguntas frequentes
Advogado pode usar inteligência artificial?
Pode e deve, para pesquisa, minuta e organização. A decisão e a responsabilidade continuam com ele.
Como o escritório usa IA?
Em pesquisa, revisão de contratos, triagem de publicações e rotinas internas. O parecer é sempre humano.
Discordar do cliente não é falta de serviço?
É o serviço. Concordar sempre é o que qualquer ferramenta já faz de graça.


